O PSA e o exame de toque retal, como mencionei no último texto, são exames de triagem. Portanto eles indicarão uma probabilidade e não uma certeza. Assim sendo, esses testes normalmente possuem alta sensibilidade, ou seja, grande chance de detectar quem tem uma doença. Contudo possuem baixa especificidade, que é a capacidade de identificar quem não possui a doença. Nossa, agora que não entendi nada!


Para simplificar, quem fez os exames de triagem e está tudo normal, possui uma probabilidade enorme de realmente não ter a doença, pois o exame é muito bom em detectá-la. Por outro lado o exame não é tão bom em dizer que a alteração encontrada com certeza se traduz em câncer de próstata.
Para citar algumas outras causas de aumento de PSA: infecções urinárias, prostatites, colocação de sonda na bexiga, falta de orientações ou de seguir as orientações antes da coleta (não andar a cavalo, bicicleta ou praticar relações sexuais alguns dias antes) e o aumento benigno da próstata. O urologista saberá interpretar os resultados dos exames.


Ok, entendi que alguns outros problemas na próstata aumentam os PSA. Mas qual a relação do tumor na próstata com o resultado do exame?

Câncer de Próstata


O câncer de próstata libera muito mais antígeno prostático específico no sangue do que uma próstata normal, seja por uma produção maior, seja por destruição de células (lise celular). Assim sendo, esse aumento do PSA chama a atenção para a possibilidade de câncer.


Então, o que o urologista deve fazer quando o PSA estiver aumentado?
Na maior parte das vezes reorientar o paciente e coletar o PSA novamente pode ser a primeira opção. Ademais, antes de pensar em pedir outros exames, existe o que chamamos de refinamento do PSA, que é utilizado para valores aumentados, mas quando ele é ainda menor que 10ng/dL. Podemos calcular e relação entre PSA livre e total, a densidade do e a velocidade do aumento do PSA.

psa

Refinamento do PSA


Primeiramente a relação PSA livre/total. Pode-se se fazer uma conta simples: dividir o valor do PSA livre pelo valor do PSA total. Se essa relação for menor que 10%, 56% dos homens terão Câncer de Próstata detectado. Porém se essa relação for acima de 25%, apenas 8% o terão. Existe certa variação sobre qual ponto de corte utilizar antes partir para uma investigação mais aprofundada, os mais utilizados são 15%, 18% e 20%.


Em segundo lugar há a densidade. Ela é feita calculando-se o valor do PSA pelo volume da próstata. O ideal seria que esse volume fosse medido pelo US transretal, entretanto nem sempre é uma realidade para o dia-a-dia. Quanto maior esse valor, maior a chance de câncer de próstata. De maneira geral o valor de corte é 0,15.


Em terceiro lugar, a velocidade de aumento e o tempo de duplicação do PSA também são utilizados. Contudo, eles têm valor diagnóstico limitado, embora pareçam ser mais relevantes no prognóstico da doença. A idade também tem impacto, sendo que, grosso modo, em homens com até 60 anos, utiliza-se o valor de corte para de 2,5ng/dL e após essa idade 4ng/dL. Claro que não podemos ser radicais, esses valores são apenas guias.


Por último, existem ferramentas que calculam o risco de Câncer de Próstata, baseados em alguns dados. Você pode acessar no link http://riskcalc.org/PCPTRC/.


Ainda temos bastante para falar sobre câncer de próstata. Por hora encerro por aqui, mas retomarei o assunto futuramente.


7 comentários

Antenor Afonso de Sá · 5 de novembro de 2020 às 22:41

Meu psa total deu 0.76 e livre 037 a relação deu0.48 estou preocupado

ROGERIO · 9 de dezembro de 2020 às 03:16

Fiz o exame de Psa com resultado.Livre 0,68 ng/ml & Psa total 5,28 ng/ml , e Porcentagem de psa livre/P Psa total 12,9% tenho Problemas ?

Antonio Silva Queiroz · 6 de dezembro de 2020 às 17:37

Devido pandemia não fui ao meu urologista em Salvador.Fiz o exame de psa com resultado.Livre 0,27 ng/ml Pra total 1,69 ng/ml Porcentagem de psa livre/P Psa total 16%

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