Conforme discutimos em um post anterior, a disfunção erétil é mais que um problema sexual. Ela não apenas envolve problemas locais no pênis, como também doenças circulatórias sistêmicas, entre elas cardíacas, cerebrais e nos membros. Da mesma forma pode ter relação com sistema nervoso, afecções psicológicas, problemas sociais e alterações hormonais. Por último vimos inúmeras patologias que podem estar associadas a impotência, até mesmo doenças da próstata. Sob o mesmo ponto de vista, vamos conversar agora sobre como deve ser a abordagem do paciente com disfunção erétil.

O que é importante o urologista saber sobre o paciente com disfunção erétil?

Com o intuito de identificar e entender o problema do paciente, é necessária uma história sexual que inclua: informações sobre as ereções (rigidez, duração, ereções matinais), desejo sexual, ejaculação, orgasmo, orientação sexual, relacionamentos sexuais atuais e passados, estado emocional do paciente e da parceira(o) e tratamentos prévios realizados. Por certo saber sobre diminuição de ânimo e disposição, fadiga, déficit cognitivo e libido, pode dar uma ideia sobre estado hormonal. Da mesma forma, é interessante ter informações sobre a parceira ou parceiro. Não preciso dizer que é necessária a investigação dos fatores de risco supracitados e discutidos no post anterior.

O que o exame físico do paciente traz de informações?

Ao examinar o paciente, o urologista deve atentar-se aos testículos e caracteres sexuais secundários (desenvolvimento sexual e pilificação), e assim saber mais sobre o estado hormonal. Testículos pequenos e diminuição de pêlos, inegavelmente nos faz pensar em diminuição de testosterona.

Deformidades no pênis e estado neurológico também são importantes. Uma auscuta cardíaca, aferição da pressão arterial e frequência do coração também dizem um pouco sobre o estado cardiológico.

Por último, se o paciente tiver mais que 50 anos, mais com 45 anos com fatores de risco para câncer de próstata ou tiver sintomas para urinar, ressalto que é necessária a avaliação prostática.

E os exames complementares na disfunção erétil?

Com o propósito de avaliar o paciente com disfunção erétil, alguns exames são recomendados praticamente para todos: perfil lipídico (colesterol), glicemia (diabetes) e testosterona total (hormônio masculino). Ademais em alguns casos são dosadas testosterona livre calculada. Se acaso for necessária avaliação da próstata, dosar-se-á o PSA.

colesterol

Uma vez que existem, em algumas situações, causas específicas de disfunção erétil, uma abordagem direcionada pode ser recomendada. Por exemplo na disfunção erétil primária (sem problemas orgânicos/psicogênicos causais) e também em pacientes jovens com trauma pélvico ou perineal. Nesses casos considera-se realizar Ultrassonografia com doppler do pênis. Arteriografia e carvernosografia podem ser necessárias em casos de tratamento cirúrgico.

Em deformidades no pênis, como doença de Peyronie ou pênis torto congênito, pensa-se no tratamento da deformidade. Em desordens psiquiátricas ou psicossexuais complexas e em casos de abuso sexual, é importante avaliação psiquiátrica especializada. Nos problemas endócrinos complexos, é de bom senso uma avaliação endocrinológica.

disfunção erétil

Fora os casos específicos, todos serão tratados de maneira igual?

Posto que o risco cardiovascular é importante na abordagem do paciente com impotência, de maneira geral eles são estratificados como tendo risco cardiovascular baixo, intermediário e alto.

Assim, o grupo de baixo risco inclui pacientes assintomáticos com menos de 3 fatores de risco para doença coronariana, angina estável leve e infarto agudo do miocárdio não complicado. Também disfunção ventricular esquerda ou insuficiência cardíaca congestiva classe I e II, revascularização coronariana bem sucedida, hipertensão controlada e doença valvular leve.

Por outro lado o grupo de risco intermediário são: pacientes assintomáticos com mais de 3 fatores de risco para doença coronariana, angina estável moderada e infarto agudo do miocárdio com mais de duas e menos de seis semanas. Além disso sequela de AVC ou doença arterial periférica e disfunção ventricular esquerda ou insuficiência cardíaca congestiva classe III.

Por fim, o grupo de alto risco são então os pacientes com arritmias de alto risco, angina instável ou refratária e infarto agudo do miocárdio há menos de 2 semanas. Ademais disfunção ventricular esquerda ou insuficiência cardíaca congestiva classe IV, miocardiopatias, hipertensão descontrolada e doença valvular moderada a grave.

Após essa classificação, o que fazer?

Em síntese, os pacientes de baixo risco recebem tratamento sem nenhuma avaliação cardiológica específica.Os pacientes de risco intermediário devem ser submetidos a algum exame de estresse cardíaco (teste ergométrico, eco-stress ou cintilografia com dipiridamol).Por último, os pacientes de risco alto devem passar por avaliação especializada com cardiologista.

Lembro que a atividade sexual, a princípio, equivale a subir 2 andares de escada em 10 minutos. Outra comparação é com andar um quilômetro e meio em 20 minutos em superfície plana. Dessa forma, será que os pacientes estão aptos a realizar a atividade sexual?

Decerto esse assunto é extenso. Portanto, continuarei a explorá-lo em um próximo post. A princípio abordarei no encontro seguinte o tratamento da disfunção erétil, em linhas gerais. Não entrarei em situações específicas, mas você terá uma boa idéia do que é mais importante. Até lá.

iup

2 comentários

Ereção - como acontece? | Urologista - Dr. Tiago Aguiar · 19 de julho de 2019 às 19:56

[…] Disfunção erétil – o que é importante avaliar? […]

Impotência: medicações e cirurgias | Urologista - Dr. Tiago Aguiar · 30 de julho de 2019 às 07:11

[…] Disfunção erétil – o que é importante avaliar? […]

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