Impotência: medicações e cirurgias. Enfim chegamos lá. Se você não leu os outros posts sobre impotência sexual, por certo gostará de inteirar-se primeiramente do assunto:

Conforme disse nos textos anteriores, é de suma importância olhar para o paciente e não para a doença. Nesse sentido, o melhor tratamento envolve entender as doenças que o paciente possui, seus hábitos de vida, seu perfil e estado psicológico e sua motivação. Similarmente é fundamental pesquisar sobre seu relacionamento com a parceira(o) e seu contexto social. Por fim, as medicações, embora muito eficientes, são apenas o toque final do tratamento.

Impotência: medicações e cirurgias – Tratamento medicamentoso

A fim de tratar a disfunção erétil, algumas medicações foram desenvolvidas e estão disponíveis para uso. Como regra geral, iniciamos o tratamento com opções mais simples e evoluímos para as mais complexas.

Inibidores da fosfodiesterase tipo 5.

É provável que você já tenha ouvido falar sobre alguma delas: sildenafila, tadalafila, vardenafila e avanafila. Essas medicações dilatam as artérias que levam sangue aos corpos cavernosos e assim, facilitam as ereções.

Conquanto as pessoas tenham informações sobre essas medicações, o conhecimento normalmente é superficial. Inegavelmente existem extremos. Se por um lado alguns homens usam para fins recreacionais e sem necessidade, por outro, há indivíduos que se beneficiariam da medicação, entretanto não as usam ou não procuram ajuda por medo. É provável ainda, que poucos saibam que o uso pode ser tanto diário, como sob demanda, ou seja, antes da relação.

Contraindicações

Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que os medicamentos são seguros. Contudo, existem algumas contraindicações que devem ser respeitadas, a saber: pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico ou arritmia com risco de vida nos últimos 6 meses; pacientes com hipotensão (pressão arterial menor que 90 x 50 mmHg) ou hipertensão com níveis pressóricos acima de 170 x 100 mmHg; pacientes com angina instável, angina durante relação sexual ou Insuficiência Cardíaca classe IV (NYHA). Conforme mencionado quando falamos da abordagem do paciente com disfunção erétil, é importante o urologista estratificar o risco cardiológico do paciente.

Impotência: medicações e cirurgias

Efeitos Colaterais e interações medicamentosas

Em segundo lugar, existem efeitos colaterais dos inibidores da fosfodiesterase 5 que os pacientes precisam conhecer, em resumo: dor de cabeça (9-16%), enrubescimento (4-12%), desconforto gástrico (4-12%), congestão nasal (1-10%), tontura (0,5-2,5%), alterações na visão (2%), dor nas costas (até 6,5%) e dor muscular (até 5,7%). Ressalto, contudo, que algumas drogas apresentam mais e outras menos, cada efeito colateral. Portanto, pode ser uma opção trocar de inibidor da 5 fosfodiesterase, para mitigar os efeitos adversos.

Em terceiro lugar, pode haver interação com outras medicações. Assim, ressalto a hipotensão que pode ocorrer na associação com alfa-bloqueadores (usados para tratamento da hiperplasia benigna da próstata)

O que fazer se medicação falhar?

Por último, gostaria de conversar sobre a falha dos inibidores da fosfodiesterase 5. Com toda a certeza é real a incapacidade dessa medicação resolver todos os problemas de impotência sexual. No entanto, é recomendado antes de partir para outro tratamento, fazer um check-list de uso incorreto da medicação. Desse modo verificar: foi aguardado o tempo correto entre a ingestão da droga e a atividade sexual? A medicação foi ingerida com alimentos pesados? Houve estímulo adequado? Quantas vezes a medicação foi utilizada?

Mas fique tranquilo. Se dessa forma não deu certo, temos outras opções.

Medicações intracavernosas

Assim como nos inibidores da fosfodiesterase 5, o objetivo das medicações intracavernosas é melhorar a circulação no pênis, embora haja um efeito diretamente no corpo cavernoso.

Entretanto as injeções não alcançaram tanta popularidade, por serem injetáveis e por serem aplicadas pelo próprio paciente ou por sua/seu parceira (o). Assim o número de pacientes que aceitam ser tratados dessa forma ficou restrito.

Com efeito, estimativas indicam que cerca de 20% dos homens a quem esse tipo de tratamento é oferecido passam a utilizá-lo de forma habitual. Ele deve ser utilizado não apenas quando o paciente não apresenta mais uma resposta favorável ao uso dos comprimidos orais, como também para aqueles que apresentam significativos efeitos colaterais.

Quais são as medicações?

Desse modo, as drogas mais utilizadas são a prostaglandinas como o Alprostadil, associadas ou não a outros vasodilatadores como papaverina e fentolamina. Uma ereção ocorre, com efeito,  10-15 minutos após a injeção, mesmo sem estimulação sexual.

Impotência: medicações e cirurgias

Contraindicações

A saber, não deve usar as injeções intracavernosas quem tiver hipersensibilidade a algum ingrediente do medicamento. Ela também deve ser evitada quando se faz uso de anticoagulantes.

Em seguida, ressalto que os efeitos secundários mais comuns das injeções intracavernosas: dor no pênis durante a ereção (10%), hematoma no local da injeção e priapismo (ereção por mais de 4 horas, algumas vezes dolorosa).

E se acaso tudo isso falhar, existe ainda uma chance?

Impotência: medicações e cirurgias – Prótese peniana

Uma prótese peniana é um dispositivo médico implantado cirurgicamente nos corpos cavernosos do pênis nos casos mais graves.

Assim, elas constituem uma solução para casos em que já se tentou os inibidores da fosfodiesterase 5 e as injeções intracavernosas e não houve resultado satisfatório, os medicamentos são contraindicados ou não foram tolerados.

Como funciona uma prótese peniana?

Existem dois tipos de próteses penianas: próteses semirrígidas e próteses infláveis.
As próteses semirrígidas consistem em dois cilindros sólidos de consistência maleável que são implantados nos corpos cavernosos. Eles podem ser ajustados, por certo, antes da atividade sexual. Portanto, com este tipo de implante, o pênis está sempre semirrígido, o que pode ser difícil de disfarçar.

protese semirrigida

As próteses penianas infláveis são dispositivos cheios com fluido. Elas consistem em dois cilindros que se implantam nos corpos cavernosos, uma bomba manual colocada no escroto e um reservatório que armazena o fluido quando o pénis não está ereto. A prótese é ativada ao apertar várias vezes uma bomba para injetar o fluido do reservatório nos cilindros. Analogamente, a bomba também é usada depois para fazer voltar o fluido para o reservatório.

protese inflavel

Impotência: medicações e cirurgias. O capítulo final da disfunção erétil?

Por fim encerramos o assunto impotência sexual. Não apenas comentamos muito do que está envolvido com esse problema, como também nos aprofundamos na abordagem e no tratamento da doença. Portanto, espero ter contribuído para a difusão do conhecimento e para o estímulo da discussão sobre o assunto. Ressalto contudo que o tema é por demais complexo para ser esgotado. Apenas vamos mudar um pouco o foco, mas podemos futuramente voltar a discuti-lo. Se tiver dúvidas, entre em contato comigo. Até breve.

iup


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