Conforme mencionei no texto: Cálculos renais, por que tenho? – os cálculos não são somente de cálcio. De fato, substâncias como ácido úrico, oxalato, estruvita, cistina, entre outros, também compõem algumas pedras. Ademais, ressalto que, embora não entrem na composição dos cálculos, outros elementos como o citrato e o magnésio, também exercem influência neles. Vamos então entender um pouco mais sobre essas outras influências?

Cálculos não são somente de cálcio

Cálculos não são somente de cálcio – Oxalato

A maioria dos cálculos renais é de oxalato de cálcio. Ao passo que o cálcio é familiar a todos e também considerado o vilão das pedras nos rins, o oxalato, por outro lado, é um ilustre desconhecido. Enfim, a hiperoxalúria, ou seja, aumento da concentração de oxalato na urina, é responsável por 2 a 15% das litíases urinárias.

Cerca de 6 a 14% do oxalato ingerido em nossa dieta é absorvido, por certo, uma porcentagem menor que a de cálcio. Essa incorporação ocorre tanto no intestino delgado quanto no colon. Alguns fatores diminuem essa retenção do oxalato, a saber: quantidades grandes de cálcio na dieta, assim como a de magnésio, além da presença de bactérias que degradam o oxalato, como a Oxalobacter formigenes. Contudo, apenas 20% do oxalato em nosso sangue vem da alimentação. Assim, 80% vem do metabolismo hepático: metade da vitamina C e outra metade da glicina.

cálculos

Causas de Cálculos de Oxalato

Depois que entendemos um pouco como o oxalato chega ao nosso organismo, vamos então ver as principais causas de sua concentração elevada na urina:

  • Primária: um problema genético que aumenta a produção de oxalato
  • Entérica (intestinal): são, sobretudo, estados de mal absorção intestinal, associados a doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca e ressecções/desvios intestinais. A princípio, isso ocorre pois, com absorção intestinal ruim, sobra mais gordura no intestino. Ela, então, se liga ao cálcio e ao magnésio. Com menos cálcio e menos magnésio no intestino, por conseguinte, mais oxalato é absorvido.
  • Dietética: ela ocorre, com efeito, devido a ingestão de alimentos ricos em oxalato: castanhas, chocolate, alguns chás (notadamente groselha e camomila), espinafre, brócolis, beterraba e morango. Da mesma forma, sucede devido a ingestão elevada de vitamina C e proteínas. Finalmente, restrição de cálcio na alimentação, também leva a formação de cálculos devido a absorção proeminente de oxalato.
  • Idiopática: sem causa estabelecida
Cálculos não são somente de cálcio

Cálculos não são somente de cálcio – Ácido Úrico

O aumento do ácido úrico na urina, ou seja, a hiperuricosúria, é outro fator relevante na formação de cálculos. Ela é, afinal, responsável por 10 a 40% das litíases nos rins. Não apenas leva a formação de pedras de ácido úrico, como também é a única alteração encontrada em 10% dos formadores de cálculos de cálcio.

Ressalto ainda a relação entre acidez na urina e os cálculos de ácido úrico, sobretudo quando o pH é menor que 5,5. Surpreendentemente, alguns formadores de cálculos de ácido úrico, apresentam concentrações desse elemento normais na urina, entretanto com a acidez urinária sempre presente. O pH persistentemente baixo, certamente, é o fator mais relevante na formação desses cálculos. Por fim, lembro a tríade para a formação de pedras de ácido úrico: urina ácida, com baixo volume e aumento do ácido úrico no sangue.

Cálculos não são somente de cálcio

Sem dúvida o principal fator para a formação de cálculos de ácido úrico é a dieta e, nesse sentido, tem grande significado a ingestão de purinas. Elas são encontradas sobretudo em alimentos ricos em proteínas. Como resultado do metabolismo das purinas, há a formação de ácido úrico.

Quais os alimentos ricos em purinas?

  • Carnes e miúdos: carnes vermelhas, como bovina, suína, caprina e ovina.  Também carnes brancas como de frango, peru e pato, além dos peixes, sobretudo sardinha e anchova. Enfim, frutos do mar, como camarão, mexilhões e moluscos.
  • Bebidas alcoólicas: especialmente cerveja
  • Oleaginosas: nozes, amendoim, castanhas, pistache e avelã.
  • Leguminosas: feijão, lentilha e ervilhas.
  • Alguns vegetais: couve-flor, brócolis, acelga, aspargo e espinafre
  • Alguns cereais: aveia.
  • Outros alimentos: cogumelos e chocolate.

Com toda certeza, é difícil não ingerir alimentos ricos em purinas. Nesse interim, deve-se utilizar a lista não como uma proibição, mas como um guia a regular e minimizar a ingestão de certas comidas.

Cálculos não são somente de cálcio

Em contraste aos fatores dietéticos, existem também outras causas hereditárias e adquiridas para formação de pedras de ácido úrico: gota, doenças mieloproliferativas, hemogloginopatias (como talassemia), anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12), anemias hemolíticas, etc.

Cálculos não são somente de cálcio – uma complexa interação

Cálculos não são somente de cálcio

Destarte, falamos bastante sobre dois fatores importantes na formação da litíase urinária: o oxalato e o ácido úrico. Vimos não apenas que eles compõem algumas pedras, como também influenciam indiretamente a formação dos cálculos de cálcio. Enfim, cálculos não são somente de cálcio e, progressivamente, vamos entender a complexa natureza da litíase urinária, com seus componentes hereditários, adquiridos e sobretudo a relação com nossos hábitos.

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1 comentário

Como prevenir os cálculos renais? | Urologista - Dr. Tiago Aguiar · 19 de janeiro de 2020 às 19:42

[…] decerto esperam após os textos: Cálculos Renais – Por que tenho? Causas dos Cálculos Renais e Cálculos Renais não são somente de Cálcio. Se você ainda não leu os posts acima, então aproveite e clique nos links para saber […]

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